Man Ray, fotografado por Carl van Vechten, em 1934.

Man Ray (Emmanuel Radnitzky; 27 de agosto de 1890 – 18 de novembro de 1976) foi um artista americano que passou a maior parte da sua carreira na França.

O visionário artista Man Ray era filho de imigrantes judeus da Rússia. O seu pai era alfaiate. A família mudou-se para o Brooklyn quando Ray era criança. Desde a infância que Ray demostrou grande habilidade artística. Depois de terminar o ensino secundário em 1908, Ray seguiu a sua paixão pela arte: estudou desenho com Robert Henri no Centro Ferrer e frequentou a galeria 291 de Alfred Stieglitz. Mais tarde tornou-se claro que Ray tinha sido influenciado pelas fotografias de Stieglitz. Ray utilizou um estilo similar, tirando fotos que forneciam uma aparência nua e crua ao motivo.

Ray também encontrou inspiração no Armory Show de 1913, que contou com as obras de Pablo Picasso, Wassily Kandinsky e Marcel Duchamp. Naquele mesmo ano, mudou-se para uma florescente colónia de arte em Ridgefield, Nova Jersey. E não era só Ray que se mudava. O seu trabalho também estava em evolução. Depois de experimentar um estilo cubista na pintura, ele moveu-se direção à abstração.

Ray foi um contribuinte significativo para o movimento Surrealista.
 
"Le Violon d’Ingres", de 1924, uma das mais icônicas imagens do fotógrafo Man Ray

Juntamente com Duchamp e Francis Picabia, Ray tornou-se numa figura de destaque no movimento Dada em Nova York. O dadaísmo, nome dado em francês aos cavalos de baloiço de brincar, desafiou as noções existentes de arte e literatura e estimulou a espontaneidade. Um dos trabalhos mais famosos de Ray dessa época foi “The Gift”, uma escultura que incorporou dois objetos encontrados. Ele colou pregos na superfície de um ferro de engomar para criar a peça.

Em 1921, Ray mudou-se para Paris. Lá, continuou a fazer parte da vanguarda artística, ombreando com figuras famosas como Gertrude Stein e Ernest Hemingway. Ray tornou-se famoso pelos retratos dos seus associados artísticos e literários. Desenvolveu também uma carreira próspera como fotógrafo de moda, tirando fotos para revistas como a Vogue. Esses empreendimentos comerciais apoiaram os seus esforços de arte. Sendo um fotógrafo inovador, Ray descobriu, por acidente na sua câmara escura, uma nova forma de criar imagens interessantes. Chamadas de “Rayografias”, essas fotos foram criadas colocando e manipulando objetos em pedaços de papel fotossensível.

Uma das outras obras famosas de Ray desse período foi “Violin d’Ingres”, de 1924. Esta fotografia modificada apresenta as costas nuas da seu amante, a artista Kiki de Montparnasse, estilizada após uma pintura do artista francês neoclássico Jean August Dominique Ingres. Num tom bem-humorado, Ray acrescentou duas formas negras para fazê-la parecer um instrumento musical. Ele também explorou as possibilidades artísticas do cinema, criando obras surrealistas, agora clássicas, como L’Etoile de Mer (1928). Nessa época, Ray também experimentou uma técnica chamada efeito Sabatier, ou solarização, que adiciona uma qualidade prateada e fantasmagórica à imagem.

Uma nova musa, Lee Miller, traz uma nova vida ao trabalho de Ray. Um recorte do seu olho é apresentado na escultura de 1932 objeto-objeto “Objeto a Ser Destruído”, e os seus lábios enchem o céu de “Observatory Time” (1936). Em 1940, Ray fugiu da guerra na Europa e mudou-se para a Califórnia. No ano seguinte, nos Estados Unidos, casa-se com a modelo e dançarina Juliet Browner, numa cerimónia dupla única com o artista Max Ernst e Dorothea Tanning.

Apesar de se considerar um pintor, Ray ficou mais conhecido pela sua fotografia de moda e retratos. Para além disso, Man Ray é também reconhecido pelos seus fotogramas, aos quais ele chamou de “rayographs”, em referência a si mesmo. 

Como cineasta, produz filmes surrealistas, como L’Étoile de Mer (1928), com o auxílio de uma técnica chamada solarização, pela qual inverte parcialmente os tons da fotografia.

Muda-se para a Califórnia em 1940, para explorar as possibilidades expressivas da fotografia. Aí dá aulas sobre o tema. Seis anos depois, retorna a França. Em 1963 publica a autobiografia Auto-Retrato.

Man Ray - Capelli Lunghi - 1929

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